Vol. VII: Vitrais 74 - mai 2014
A Revista da ABRT Associação Brasileira Ramain-Thiers - ISSN 2317-0719
 
     
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VITRAIS
Vol. VII: Vitrais 74

                        mai 2014

 

Editorial

Notícias

Entrevista
Jussara Teixeira Orlando


Artigos

Eleide Lopes Felix

Maria da Graça Conceição

 

Reflexões

O discurso do Rei ou a

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ENTREVISTA

com

JUSSARA TEIXEIRA ORLANDO

 

 

 

Entrevista com Jussara Teixeira Orlando

Psicóloga Clinica. Especialista em Psicologia Clínica e Psicomotricidade. Psicanalista e Especialista em Psicanálise.  Supervisora.

Terapeuta Familiar Sistêmica. Sociopsicomotricista Ramain-Thiers.

 

Jussara é um enorme prazer entrevistar você nesta edição de Vitrais. Agradecemos a sua participação, atenção e colaboração.

Jussara, como foi o seu percurso profissional desde o seu início até a atualidade?

Acredito que as características da personalidade do psicoterapeuta são as responsáveis conscientes e inconscientemente pela escolha da sua escola psicoterápica.

Alguns optam por linhas verbais, outros por enfoques corporais, outros ainda, por abordagens de ação. Sabe-se que um fator que define as preferências teóricas de um psicoterapeuta são as influências profissionais recebidas anteriormente. De forma psicodramática podemos dizer que a matriz de identidade profissional determina o percurso do psicoterapeuta. Ninguém pode negar suas raízes, seja aceitando-as ou fugindo delas. Sempre achei fascinante ouvir as pessoas, procurar entendê-las e ajudá-las.

Para mim, não é difícil retornar, a esta altura, os motivos e a comnpreensão que há anos eu tinha da psicologia.

Como estudante tinha noções de como os psicólogos tratavam das pessoas, além das fantasias que eu fazia a respeito de que eles possuiam palavras mágicas. Pode até ser que eu desejasse ser mágica.

Meu primeiro contato com a psicanálise foi muito anterior a minha formação como psicóloga. Aconteceu no final do ano de 1968. Nessa época iniciava o meu namoro com ORLANDO, que mais tarde veio a ser o meu objeto de escolha de parceria amorosa e que falava com carinho da grande admiração que tinha pelo seu analista. Eu ficava deslumbrada com tais comentários.

Algum tempo depois, quando terminava o segundo grau, fui submetida ao teste vocacional, onde acreditava que o mesmo viria apenas confirmar a escolha que já havia sido feita por mim, que era medicina. Parasurpresa dos meus familiares e minha própria, a psicologia despontou como a favorita.

Não hesitei da revelação e, no ano seguinte, comecei a cursar a Faculdade de Psicologia, onde, desde o início, demosntrei interesse e amor pelo curso.

Tão logo pude concluí-lo, já me vi ingressando no meu primeiro curso de Especialização em Abordagem Psicanalítica – Especialização em Psicologia, Psiquiatria e Psicoterapia da Infância e Adolescência - ministrado pelo renomado médico e psicanalista Oswaldo di Loreto.

Como jovem profissional, eu valorizava toda a segurança dada pela teoria psiicanalítica que me oferecia um psicologia bem desenvolvida da mente e dos distúrbios emocionais, além de contar com as sábias orientações daquele supervisor.

Com o tempo, descobri o quanto meus conhecimentos psicanalíticos estavam sendo usados por mim em  minha prática clínica, com crianças e adolescentes. Sabia também que exercia uma abordagem mais humanista, pois já fazia algumas críticas e questionamentos à psicanalise ortodoxa.

Jussara como encontrou a Sociopsicomotricidade Ramain-Thiers? 

Um dia recebi em meu consultório um convite por parte de um colega, para fazer um curso de especialização em terapia psicomotora. Achei genial a ideia, uma vez que a minha clientela era basicamente constituída de crianças em sua maioria e, que traziam como sintomas, distúrbios de aprendizagem, distúrbios do comportamento, patologias da fala, acompanhados por problemas emocionais e problemas psicopatológicos.

Quando entrei em maiores detalhes a respeito do curso, achei o conteúdo muito interessante e parecia vir de encontro àquilo que me faltava.Assim foi com um misto de ansiedade, curiosidade e excitação, que acabei participando do primeiro curso de Formação Ramain em Brasília. Aqueles foram os dez dias vividos com medo e curiosidade pelo desconhecido, mas issonão me impediu de expor as minhas próprias experiências diante do grupo.

 Era como um grande voo coletivo, o grupo se familiarizando com o setting terapêutico, além de clarificar, para muitos que não conheciam o trabalho de grupo e, que tinham o interesse por fazê-lo.  As outras etapas foram acontecendo acompanhadas paralelamente por supervisões pedagógicas e as coisas foram se tornando mais claras para cada participante do grupo de formação. Conquistamos nossa identidade, crescemos emocionalmente, mudamos e expressamos isto até com nossa expressão corporal, além de, profissionalmente, percebermos a eficácia da terapia de grupo.

Jussara, como foi passar pela abordagem Ramain e caminhar para a metodologia da Sociopsicomotricidade Ramain-Thiers? 

A trajetória dessa brilhante profissional, Solange Thiers, como muito trabalho, estudo, pesquisa e muita dedicação estava dando um novo rumo, àquele método trazido da França por Simonne Ramain. As evidências trazidas pelas experiências levaram os dirigentes do Ramain no Brasil, a constatar a dimensão do psiquismo atuando na manifestação motora. Diante das necessidades que surgiam buscou-se recursos teóricos em outras ciências como a Sociologia, a Psicologia e a Psicanálise. A Psicomotricidade deixa de ser somente uma práxis e entra noplano científico. Foi compreendendo o sujeito como um todo: corpo, mente, afeto, ação e sociedade, que permitiu a Solange e sua equipe a abrangência de um trabalho mais integrado. Sem dúvida o Ramain-Thiers está inserido no momento histórico da Psicomotricidade e da Psicoterapia de Grupo.

Sinto-me lisonjeada e orgulhosa por ter participado na co-criação e co-resconstrução do método, como cliente, como Ramanista e Sociopsicomotricista Ramain-Thiers, junto a tantos outros que, confiando nossas histórias de vida, fomos agentes desencadeantes de transformação. 

Jussara, qual a importância desta Formação para você? 

Sou apaixonada pela metodologia. É bem verdade que a grande influência psicanalítica que possuo e a possibilidade de um trabalho junto a crianças, adolescentes e adultos, através do recurso da Sociopsicomotricidade Ramain-Thiers, cuja leitura é feita à luz do saber psicanalítico, me fascina.

Atualmente, minha clientela é de adultos, com atendimento individual e de grupo, atendimento a casais e famílias, onde lanço mão de propostas da Sociopsicomotricidade Ramain-Thiers.

Recebo, em meu consultório, vários psicólogos, psicanalistas, com as mais diversas formações e, quando se deparam com propostas Ramain-Thiers, impressionam com a riqueza da metodologia. 

Jussara, em que você tem prestado a sua colaboração profissional?  

Atualmente, sou aposentada da secretaria de Educação do Distrito Federal, onde tive a oportunidade de desenvolver um projeto de relações Humanas, durante um ano, utilizando Ramain-Thiers e Psicodrama na escola de Aperfeiçoamento ao professor, que foi um sucesso.

Trabalhei com o mesmo projeto no SAMO-Serviços de Assistência Médica e Odontológica, da FEDF, na época, com profissionais da área da saúde: médicos, psicólogos, assistentes sociais, dentistas e funcionários de Brasília e das cidades satélites, Sobradinho, Taguatinga e Gama. O resultado foi expressivo de mudanças nas relações interpessoais.

Participei da criação da Clínica de psicologia e Sociopsicomotricidade Ramain-Thiers. Essa clínica foi fruto de um sonho da equipe de supervisores de Brasília, em parceria com a Caixa de Assistência da OAB / DF, da qual fazia parte, uma sede em que pudéssemos dar aulas de Formação Técnica, bem como propiciar aos supervisandos, o local de atendimento a seus clientes, com estágio supervisionado. A jornada foi árdua. A equipe de supervisores com espírito de cooperação e integração uniu forças, para enfrentar adversidades, que acabaram despertando sentimentos diversos, mas foi um tempo muito rico para todos nós, supervisores, supervisandos e clientes.

Fui escolhida por Solange para ser supervisora em Brasília, primeiramentepara dar Trabalho Corporal e mais tarde, percebendo o meu encantamento pela psicanálise, me indicou para essa disciplina em Brasília e em Goiânia.

Como Psicóloga Clínica, atuando com crianças, adolescentes e adultos tive o prazer de ter grupos de atendimento na abordagem Ramain-Thiers por longo tempo.

Minha contribuição com trabalhos começa no primeiro livro da Sociopsicomotricidade Ramain-Thiers: uma leitura emocional, corporal e social, com artigos voltados para Trabalho Corporal e no livro Compartilhar em Terapia: seleções em Ramain-Thiers, com Caso Clínico. Participação em Congressos como: Palestrante, Moderadora, Mesa Redonda e Vivências.

Atuo em Brasília, em consultório, com adultos, casal e famílias, como Psicóloga Clinica, Terapeuta Familiar Sistêmica, Mediadora de Famílias. Sou Especialista em Psicologia e Psicomotricidade reconhecida pelo Conselho de Psicologia. Supervisiono Psicólogose Sociopsicomotricista Ramain-Thiers.

Gostaria de acrescentar nesta entrevista, um trecho de uma carta que recebi de Solange quando me indicou para ser supervisora...

“Sua carta foi muito gratificante para mim, reconheço que não preciso trocar a cor dos lápis; a escolha de supervisor não é tão simples como parece... é preciso ter algo que nem sempre é comum de se encontrar e você tem.”

Obrigada Solange! E você não precisou mesmo trocar a cor dos lápis!

E 2015 vem ai! Caminhar é preciso... e o caminho se torna mais fácil, quando na vida podemos contar com a ajuda de pessoas maravilhosas como você querida Solange e sua equipe.

Jussara agradecemos pela sua disponibilidade e gentileza sempre presente nas propostas e eventos da Sociopsicomotricidade, como também, nesta entrevista.

Esperamos contar sempre com a sua coragem e determinação nas construções científicas e em todas as suas participações na Sociopsicomotricidade Ramain-Thiers.

 

Elisabete Cerqueira

Diretora Cultural

COLEÇÃO
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Volume I
Ramain-Thiers: a vida, os contornos
A re-significação para o re (nascer)
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Volume II
A potencialidade de cada um:
Do complexo de édipo a terapia de casais
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Volume III
A dimensão afetiva do corpo:
Uma leitura em Ramain-Thiers

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Volume IV
As interfaces de Ramain-Thiers

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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